Selma uma luta pela igualdade é um dos filmes para refletir sobre os movimentos antirracistas
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Texto escrito por Talita Souza. Instagram e Facebook

O caso do cidadão negro George Floyd, morto de maneira cruel por um policial branco na cidade de Minneapolis, nos EUA, foi o estopim para que diversos protestos contra o racismo começassem a acontecer pelo país e em algumas partes do mundo nos últimos dias.

A morte de Floyd se somou ao grito de justiça pelos assassinatos de várias pessoas negras cometidos pela polícia não só lá, mas também em nosso país, mostrando que o racismo é uma realidade que perdura há séculos no mundo inteiro e infelizmente está longe de acabar.

Essa movimentação levou as discussões raciais também para as redes sociais. Na última terça-feira milhares de pessoas, entre elas influenciadores e celebridades aderiram a hashtag #BlackOutTuesday, que também levantou questionamentos sobre como contribuir com a causa.

É um momento de refletir suas ações cotidianas e principalmente se informar sobre o assunto. E para te ajudar nisso, separamos uma lista de filmes que abordam esse tema em diferentes gêneros e perspectivas, mostrando desde o racismo institucional, estrutural, velado, até questões de colorismo e solidão da mulher negra.

Confira a lista de filmes abaixo: 

1 – Selma: Uma Luta Pela Igualdade (2014)

Um dos filmes mais citados como um retrato do cenário atual, Selma é uma cinebiografia do líder do movimento dos direitos civis nos Estados Unidos, o pastor protestante e ativista social Martin Luther King Jr (David Oyelowo).

A produção mostra as históricas marchas realizadas por Luther King e manifestantes pacifistas em 1965 após uma série de violentos ataques racistas, entre a cidade de Selma, no interior do Alabama, até a capital do estado, Montgomery. Nas ocasiões, as marchas aconteciam em busca de direitos eleitorais iguais para a comunidade afro-americana.

2 – Fruitvale Station – A Última Parada (2013)

Esse filme é mais um exemplo do racismo institucional. Ele retrata é baseado no caso real de Oscar Grant (Michael B. Jordan), um jovem de 22 anos que na virada de 2008 para 2009, que após assistir os fogos em São Francisco nos EUA, voltava para casa de metrô quando foi abordado pela polícia, após uma discussão no transporte e assassinado à sangue frio, com um tiro nas costas dado por um dos oficiais.

A cena, chocante, foi registrada por dezenas de pessoas, muitas presentes também no trem e cientes da falta de culpa do jovem. A gratuidade da ação policial e o excesso de violência oferecido pelos oficiais chocou a população, gerando uma série de protestos na região. O caso aconteceu na estação que dá nome ao filme Fruitvale Station: A Última Parada e mostra o quanto esses acontecimentos ainda são atuais.

3 – A Espera de Um Milagre (1999)

Considerado como um dos clássicos do gêneros, o filme À Espera de Um Milagre, é um exemplo de racismo estrutural e institucional. Ele mostra a história de John Coffey (Michael Clarke Duncan), um homem negro injustamente condenado à morte pelo assassinato brutal de duas irmãs gêmeas de nove anos, em um momento em que a segregação racial era muito forte nos Estados Unidos. Na prisão, ele conhece o carcereiro Paul Edgecomb (Tom Hanks), que começa a entender melhor o acusado e descobre que o homem é na verdade um ser muito especial.

4 – O Ódio que Você Semeia (2018)

Esse é outro filme que retrata claramente o racismo institucional e pode ser diretamente relacionado com os recentes acontecimentos que despertaram as manifestações pelos EUA. Na trama, Starr Carter (Amandla Stenberg), uma garota negra da periferia, estuda em um colégio particular e predominantemente branco. Enquanto transita entre essas duas realidades, ela vê um amigo ser vítima de violência policial, o que faz com que comece a se manifestar pedindo justiça e paz para os negros.

 5 – Infiltrado na Klan (2018)

A história que rendeu o primeiro Oscar a Spike Lee é baseada em fatos reais e escancara o racismo estrutural sofrido por Ron (John David Washington), o primeiro negro da polícia local, que nos anos 1970 se passa por um branco para conseguir informações sobre a Ku Klux Klan, ao lado de um colega judeu, Flip Zimmerman (Adam Driver). O filme faz um link bem direto com manifestações racistas que ocorreram nos Estados Unidos nos últimos anos.

 6 – Ó Paí Ó (2007)

Protagonizado por Lázaro Ramos, o filme é considerado uma boa crônica sobre os problemas raciais no Brasil apenas pela cena em que Lázaro Ramos discute sobre ser negro com Wagner Moura. Mas além disso, “Ó Paí Ó” traz uma série de referências a conflitos raciais e violência contra jovens negros na capital baiana, que não difere da realidade que se vê em outras metrópoles do Brasil e apresenta uma visão mais sóbria sobre símbolos e figuras da capital baiana, como pessoas religiosas e até mesmo o carnaval.

7 – Branco Sai, Preto Fica (2015)

Seguindo no cinema nacional, esse filme tem como centro da narrativa, uma noite de 1986 que não acabou: aquela em que a polícia reprimiu com violência um baile de black music na Ceilândia, cidade-satélite de Brasília, deixando uma porção de feridos. A frase que dá título ao filme saiu da boca de um policial naquela noite fatídica. Os brancos podiam ir embora, os pretos ficavam para apanhar. O filme de Adirley Queirós é um manifesto das classes pobres sobre o estado do Brasil e se volta para a democracia racial. 

8 – Moonlight: Sob A Luz Do Luar (2016)

O vencedor do Oscar em 2017, o filme acompanha três momentos na vida de Chiron (Ashton Sanders), um negro homossexual. Começando pela infância, morando com a mãe solo, passando pela adolescência e pelas dificuldades na escola, chegando à fase adulta e mostrando as peculiaridades e dificuldades da vida de um negro nos EUA. Moonlight trata, entre diversas questões, sobre a busca identitária e de autoconhecimento por parte de um homem negro que sofre com bullying desde pequeno e tem proximidade com questões de vulnerabilidade social, como tráfico, pobreza e rotina violenta.

 9 – Raça (2016)

O longa conta a incrível história de Jesse Owens, atleta afro-americano que superou o racismo estrutural e institucional da época e não só participou dos Jogos Olímpicos de Berlim em 1936, em pleno regime nazista, como conquistou quatro medalhas de ouro contestando bem debaixo dos bigodes de Hitler a teoria nazista de supremacia branca.

10 – Bem-vindo a Marly-Gomont (2016)

O filme baseado em fatos reais, conta a história de Seyolo Zantoko (Marc Zinga), um médico que acabou de se formar em Kinshasa, capital do seu país natal, o Congo. De lá, ele decide partir para uma pequena aldeia francesa, um vilarejo onde teve a oportunidade de exercer a profissão, sendo os primeiros negros a habitarem o local. O filme expõe o impacto de ser diferente em uma terra fértil para ignorância. Com a sua família ao seu lado, Zantoko embarca na maior jornada de sua vida, onde precisará vencer o racismo estrutural e velado, além das barreiras culturais para vencer.

11- Estrelas Além do Tempo (2016)

O filme, baseado em fatos reais, se passa em plena Guerra Fria, Estados Unidos e União Soviética disputam a supremacia na corrida espacial ao mesmo tempo em que a sociedade norte-americana lida com uma profunda cisão racial entre brancos e negros. Tal situação é refletida também na NASA, onde um grupo de funcionárias negras é obrigado a trabalhar a parte.

Abordando importantes temas, como preconceito e machismo, o filme tem como protagonistas três mulheres negras Katherine Johnson (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughn (Octavia Spencer)  e Mary Jackson (Janelle Monáe), grandes amigas que, além de provar sua competência dia após dia, precisam lidar com o racismo estrutural e velado para que consigam ascender na hierarquia da NASA.

12 – Histórias Cruzadas (2011)

O filme que rendeu a Octavia Spencer o Oscar de melhor atriz coadjuvante é baseado no livro romance homônimo de Kathryn Stockett. Em 1960 durante a luta por direitos civis, a jornalista branca Eugenia “Skeeter” Phelan (Emma Stone), que teve sua infância marcada por uma empregada negra que a criou, decide escrever um livro da perspectiva das empregadas negras do Missipi (conhecido como “The Help“). O simples ato de serem ouvidas sobre como se viram obrigadas a abandonar suas vidas para cuidar da criação dos filhos dos brancos e como sofrem racismo trabalhando para eles choca a sociedade da época.

13 – Um Limite Entre Nós (2017)

O filme que deu o Oscar e o Globo de Ouro a Viola Davis é baseado na peça “Fences”, de 1983, e conta a história do coletor de lixo Troy (Denzel Washington), ex-presidiário e ex-jogador de beisebol, na Pittsburgh dos anos 50. Troy queria ter jogado na liga principal de beisebol, então vedada a negros. No presente, seu filho caçula é convidado para fazer um teste para um time de futebol americano.

O conflito se instala quando Troy proíbe seu filho de ir ao teste alegando que por ser negro ele não terá chances. Mas Rose (Viola Davis), sua mulher, se coloca contra a decisão para apoiar o filho. O filme é uma mistura de drama racial e doméstico, que mostra como as feridas causadas pelo racismo são capazes de dividir não só uma nação, mas também uma família.

14 – A Cor Púrpura (1985)

Mais um clássico para a lista, esse filme conta a história de Celie (Whoopi Goldberg), uma mulher negra marcada por uma série de abusos durante a vida. Ela foi violentada pelo pai aos 14 anos e se torna mãe de duas crianças, desde então, tem enfrentado repressões causadas pelos homens que passam pela sua vida. Além de perder a capacidade de engravidar, Celie imediatamente é separada dos filhos e da única pessoa no mundo que a ama, sua irmã, e é doada a “Mister” (Danny Glover), que a trata simultaneamente como escrava e companheira.

Cada vez mais calada e solitária, ela passa a compartilhar sua tristeza em carta. Uma sobrevivente de abuso sexual e moral, Celie escreve cartas a Deus e à sua irmã Nettie (Akosua Busia), narrando tudo o que ela tem de suportar. Por meio de todas as suas dificuldades, ela encontra sua voz e a força para levantar-se.

15 – Loving : Uma História de Amor (2016)

Loving retrata os movimentos pelos direitos civis da população negra nos EUA, mas de forma bem diferente. Ao invés de discursos, o filme traz uma muita delicadeza e sutileza para abordar a história de vida de uma família, os Loving. Richard Loving (Joel Edgerton) e Mildred (Ruth Negga) são um casal apaixonado e sonham em construir uma vida lado a lado. Eles vão até o estado vizinho para se casarem, mas logo se deparam com um problema. O casamento interracial é proibido no estado em que vivem, a Virgínia. Eles acabam presos e obrigados a deixar a região. São afastados de suas famílias e obrigados a viver numa área urbana e não no campo, onde sonhavam em criar seus filhos.

Ao contrário do que acontece nas obras citadas no início da lista, que são ótimas, aqui o foco não é literalmente mostrar as personagens levantando bandeiras. Ao mostrar o quão injusta é a situação, o filme, de certa forma, transmite de forma natural esta mensagem e mostra de forma não convencional o racismo sofrido nas relações interraciais que podem ser observados de forma mais velada ainda nos dias de hoje.

E aí, gostou das indicações? Conta pra gente quais desse filmes você já assistiu e compartilhe com os seus amigos nas redes sociais para que eles também possam aprender e refletir mais sobre o tema!

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